Segundo a Best European Destinations, Óbidos é uma das mais bonitas vilas medievais fortificadas da Europa. E isto deve-se, em grande parte, ao cuidado na preservação da vila desde o tempo dos primeiros reis de Portugal. Para saber a que se deve tanto cuidado é preciso conhecer um pouco da bonita história da vila.

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Bocadinhos da história de Óbidos

1. Óbidos é uma vila muito antiga, anterior à fundação de Portugal. Os primeiros registos datam do tempo do Paleolítico. Sabe-se que por aqui passaram vários povos: celtiberos, fenícios, visigodos, romanos e muçulmanos. Mas não se sabe com precisão nem a data nem o povo responsável pela fortificação da povoação.

2. Já depois de ter conquistado Lisboa aos mouros, D. Afonso Henriques tomou o castelo de Óbidos em 1148, com o apoio de Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador

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A lenda da Porta da Traição

Após ter conquistado Lisboa aos mouros, D. Afonso Henriques montou um cerco ao Castelo de Óbidos. Com o apoio de Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, o rei e os seus homens aguardaram pacientemente que os mouros se rendessem. Mas passaram-se dois meses e não houve rendição.

Certa noite, uma jovem moura que vivia no castelo procurou D. Afonso Henriques no seu acampamento para lhe trazer uma mensagem. Segundo a jovem, nos seus sonhos aparecia um homem gentil que explicava a estratégia certa para invadir o castelo: os militares deveriam simular um ataque à Porta da Vila, enquanto o Lidador prepararia uma invasão surpresa pelo lado norte do castelo. A jovem parecia muito convicta do que dizia e D. Afonso Henriques confiou nela.

Na manhã de 11 de janeiro de 1148, enquanto os mouros esperavam as tropas de D. Afonso Henriques junto à Porta da Vila, o Lidador e os militares aproximavam-se das muralhas pela zona norte e conseguiram entrar e tomar o castelo.

O alcaide mouro, ao aperceber-se da invasão gritou “Traição, traição!”

Tarde demais! Rapidamente o castelo foi tomado por tropas de D. Afonso Henriques. A porta por entraram os militares portugueses passou a chamar-se Porta da Traição.

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A Porta da Traição

3. A vila foi presente de casamento real até 1834. A primeira vez foi em 1210, quando D. Afonso II ofereceu Óbidos como prenda de casamento à sua esposa, D. Urraca. Mais tarde, em 1282, D. Dinis e D. Isabel passaram a sua lua de mel aqui e o rei incluiu a vila nos presentes de casamento para a sua esposa. A partir desta época, Óbidos passou a fazer parte da Casa das Rainhas, o conjunto dos bens que as rainhas recebiam quando se casavam com o rei.

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4. Por pertencer à Casa das Rainhas, a vila foi sempre cuidada. As monarcas gostavam de passar temporadas em Óbidos e de contribuir para o seu desenvolvimento e conservação, financiando novas construções e reformas. Foram construídas muitas igrejas, mas não só. No século XVI D. Catarina de Áustria, mulher do Rei D. João III, ordenou a construção do aqueduto da Usseira e do chafariz da Praça de Santa Maria. Estas obras foram importantes pois permitiram que a população tivesse acesso a água dentro da vila.

5. Os terramotos sentidos em Portugal em 1531 e em 1755 provocaram grandes estragos em edifícios e nas muralhas. Em ambas as épocas, obras de reconstrução e de reparação foram ordenadas, não permitindo que a vila ficasse destruída.

6. Ao entrarmos pela Porta da Vila, deparamo-nos com o maravilhoso varandim barroco da Capela-Oratório de Nossa Senhora da Piedade. O seu painel de azulejos representa a Paixão de Cristo. Esta capela foi mandada construir por D. João IV depois da Restauração da Independência, em 1640, como agradecimento à santa padroeira.

História de Óbidos
Porta da Vila

7. A Praça de Santa Maria é o centro da vila. Era aqui que faziam as feiras, que a população vinha buscar a água e que se aplicava a justiça. Aqui estão a Igreja de Santa Maria, o pelourinho e o chafariz.

8. A Igreja de Santa Maria, matriz de Óbidos, foi uma mesquita árabe antes da conquista de D. Afonso Henriques e sofreu muitas reformas ao longo dos séculos. Lá dentro, merece a pena admirar o túmulo de João de Noronha com as suas estátuas renascentistas e as pinturas de Josefa de Óbidos.

História de Óbidos

O pelourinho é a coluna de pedra que está na Rua Direita, por cima do chafariz. Era considerado o símbolo do poder local e aqui eram expostos e punidos os criminosos.

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9. Josefa d’Óbidos foi uma pintora espanhola que nasceu em Sevilha em 1630 e que veio viver para esta vila com quatro anos. O seu pai era o pintor português Baltazar Gomes Figueira. Josefa seguiu-lhe a arte e tornou-se numa famosa pintora em Portugal e na Europa. Para além do seu trabalho vasto, Josefa foi importante porque fez da pintura a sua profissão. No século XVII, era muito raro uma mulher desenvolver uma atividade profissional típica dos homens. A artista está sepultada na Igreja de São Pedro e algumas das suas obras podem ser admiradas no Museu Municipal.

Agora, que já conhecem mais sobre a história de Óbidos, que tal planear um dia para visitar a vila?

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