Nazaré – Bocadinhos de história para crianças e adultos

Nazaré é uma vila de gentes do mar. Foi, desde sempre, terra de pescadores, de pessoas que viviam do que o oceano lhes dava. De homens que arriscavam a vida para encontrar o sustento e de mulheres que trabalhavam arduamente na praia, uma comunidade marcada pela tragédia dos naufrágios.

Hoje, a pesca já não é a atividade principal e Nazaré vive dias menos trágicos. Mas continua dedicada ao mar. Onde se juntam histórias do tempo de Jesus Cristo com recordes do Guiness. Uma vila típica e vibrante onde não faltam segredos, lendas, peixe fresquinho e miradouros para admirar a vista.

A Nazarena das sete saias

A mulher típica da Nazaré usava sete saias. Ainda é possível ver, hoje, mulheres vestidas com várias saias. Numa região com forte maresia e vento, as saias ajudavam a proteger do frio as mulheres que na praia esperavam que os seus homens regressassem do mar para ajudar com os peixes e os barcos. Mas também, as sete saias têm uma conotação estética: as mulheres ficam com a cintura mais fina e formas mais arredondadas, o que as torna mais bonitas.

Bocadinhos de história

Nazaré é um local mágico e único por várias razões. A sua história é fascinante e leva-nos a viajar até ao tempo de Jesus Cristo. O nome Nazaré tem origem numa pequena imagem da Nossa Senhora trazida da Nazaré da Palestina para este local há muitos séculos.

Segundo a lenda, esta imagem terá sido esculpida pelo próprio São José quando Jesus Cristo era uma criança. É uma pequena imagem em pau de oliveira que representa a Senhora a amamentar o seu Bebé.

A imagem original da Nossa Senhora da Nazaré está bem guardada no Santuário da vila. Mas podemos admirar uma réplica na Ermida da Memória.

A pequena escultura de Nossa Senhora foi trazida no século V para Mérida. Em 711, D. Rodrigo, o último rei dos visigodos, foi derrotado pelos muçulmanos na Batalha de Guadalete. Conseguiu fugir e refugiou-se num convento em Mérida, onde estava a imagem de Nossa Senhora.

D. Rodrigo e Frei Romano, um monge do convento, fugiram de Mérida rumo a Ocidente, trazendo consigo a imagem. Quando chegaram ao local onde a terra termina, hoje o Sítio da Nazaré, esconderam-na na rocha e aí ficou durante séculos, até ser descoberta no século XII.

Em 1182, D. Fuas Roupinho, alcaide de Porto de Mós, evitou cair daquele precipício depois de ter evocado o nome de Nossa Senhora. E foi a partir deste momento que o local passou a ter uma conotação religiosa.

Foi construída a Ermida da Memória em homenagem à Santa e o Sítio da Nazaré passou a ser local de fé e de peregrinação para o povo, para os reis e para senhores de grandes projetos como por exemplo, Vasco da Gama, que veio aqui pedir proteção à Senhora antes da sua viagem para a Índia.

A Lenda da Nazaré
Era um dia de muito nevoeiro. D. Fuas Roupinho saiu para caçar, montado no seu cavalo. Ao avistar um veado, correu velozmente atrás dele. Só percebeu que corria na direção da falésia quando viu o veado cair. Mas estava demasiado perto da beira da escarpa e não conseguia parar.
Desesperado, gritou por ajuda a Nossa Senhora da Nazaré, cuja a imagem tinha estado durante tanto tempo escondida naquela rocha. Milagrosamente, o cavalo travou no último instante e D. Fuas salvou-se da queda e da morte certas.
Agradecido, mandou erigir a Ermida da Memória e, a partir daquele dia, o Sítio da Nazaré passou a ser local de peregrinação e de oração a Nossa Senhora. Diz-se que ainda é possível ver a marca das patas do cavalo de D. Fuas cravadas na rocha.
Nazaré
Representação do milagre de D. Fuas Roupinho, na igreja do Santuário da Nazaré

Nazaré, terra mágica e de contrastes, tem muito para explorar. Descubram aqui um guia para passar um dia bom na Nazaré.

Receba a newsletter Dias Bons!

Deixe o seu email:

I will never give away, trade or sell your email address. You can unsubscribe at any time.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.