Um fim de semana em Alcobaça com crianças: na terra dos Monges!

É em Alcobaça, cidade banhada pelos rios Alcoa e Baça, que fica o Mosteiro de Santa Maria, um dos mais importantes exemplos da arquitetura gótica em Portugal e reconhecido pela Unesco como Património da Humanidade.

mosteiro Alcobaça

Alcobaça

alcobaça

Visitar o mosteiro com a família pode ser uma experiência inesquecível. Seja pelas dimensões da igreja, pela cozinha com a chaminé gigante ou pela história de amor de Pedro e Inês, a visita vai de certeza despertar a curiosidade e a vontade de saber mais sobre as histórias do monumento.

Mas o passeio em Alcobaça não se resume na visita ao mosteiro. Um dia no Parque dos Monges, um passeio pela belíssima Praia de São Martinho e as iguarias gastronómicas da região preenchem o fim de semana com descobertas e diversão.

Bocadinhos de história

A história de Alcobaça coincide com a história do primeiro rei de Portugal e com a fundação do país. Em 1153, D. Afonso Henriques doou um vasto património a Bernardo de Claraval, um monge francês, fundador da Ordem de Cister, para que ali fosse construído um mosteiro cisterciense.

A doação foi feita para pagar uma promessa que D. Afonso Henriques tinha feito a Nossa Senhora. Se conseguisse conquistar Santarém aos mouros, ordenaria a construção de um mosteiro em Sua honra. Na realidade, esta doação de terras foi importante para os objetivos de D. Afonso Henriques.

Em primeiro lugar, os monges de Cister comprometeram-se a desenvolver a agricultura na região e a dinamizar o povoamento das terras. A pouco e pouco, toda a zona foi sendo habitada por famílias cristãs que recebiam dos monges parcelas de terreno para cultivo. O povoamento do território reforçou as conquistas de D. Afonso Henriques aos mouros. Para além disso, esta doação foi reconhecida pelo Papa Alexandre III, que legitimou D. Afonso Henriques com o título definitivo  de Rei de Portugal em 1179.

A atividade dos monges de Cister teve uma importância muito grande no desenvolvimento agrícola desta região, que ainda hoje é umas das mais produtivas de Portugal. Também foram pioneiros no ensino: a primeiras aulas públicas do país foram dadas aqui, em 1269.

Descobrir Alcobaça

Visitar: Mosteiro Santa Maria de Alcobaça

A imponência do Mosteiro de Alcobaça surpreende quem o visita.

O que é mesmo giro:

  • A dimensão da igreja: A igreja gótica tem uns impressionantes 20 metros de altura e 100 metros de comprimento! Na época acreditava-se que os edifícios deveriam ser muito altos para tocarem o céu e ficarem mais próximos de Deus.

  • A luz da igreja: O branco dos materiais usados na construção da igreja permite que esta adquira uma luminosidade mágica com a luz do sol.

mosteiro de Alcobaca

  • Os túmulos de Pedro e Inês. É na igreja que repousam D. Pedro e D. Inês, virados de frente um para o outro para se reencontrarem no dia do Juízo Final. Os túmulos, encomendados pelo próprio D. Pedro, foram minuciosamente esculpidos e contam episódios das suas vidas e das vidas de santos. No túmulo de D. Pedro está representada a Roda da Vida e a Roda da Fortuna com momentos da vida do casal e o seu final trágico. Os túmulos são considerados uma obra-prima da escultura tumular.

Pedro e InesPedro e Inês

mosteiro
Roda da Vida

Pedro e Inês – Uma história de amor

Era uma vez um príncipe chamado Pedro a quem estava destinado o casamento com uma princesa de Castela, Constança. Quando Constança veio viver para Portugal, trouxe consigo várias damas de companhia. Uma destas damas chamava-se Inês de Castro. Pedro e Inês apaixonaram-se, apesar do casamento do príncipe com D. Constança. Durante vários anos o seu amor foi mantido em segredo mas, quando Constança morreu, Pedro assumiu a paixão e foi viver para Coimbra com a sua amada. Pedro e Inês tiveram três filhos e viveram vários anos como um casal apaixonado e feliz.
Mas esta relação não era aceite em Portugal. O pai de Pedro, o Rei D. Afonso IV, insistiu muito na separação, mas nunca conseguiu convencer o filho a deixar Inês. Então, decidiu tomar medidas drásticas.
Um dia, aproveitando a ausência de Pedro, D. Afonso rumou a Coimbra com dois cavaleiros para acabar com a vida de Inês. De nada serviram os pedidos de clemência da dama, que foi brutalmente assassinada.
Quando soube, Pedro ficou louco de dor e jurou vingança. Assim que subiu ao trono, mandou matar os cavaleiros que haviam assassinado a sua amada, arrancando-lhes o coração. Depois, ordenou que Inês fosse reconhecida como legítima Rainha de Portugal e obrigou a Corte a beijar a mão do seu cadáver.
Em 1360, ordenou que o corpo de Inês fosse transladado para o Mosteiro Real de Alcobaça, onde foram colocados dois túmulos para que o casal pudesse repousar eternamente. Os túmulos foram colocados de frente um para o outro para que, no dia do Juízo Final, Pedro e Inês se levantem e se olhem imediatamente!
  • O Claustro. No início do século XIV, o rei D. Dinis mandou construir o Claustro do Silêncio, o maior claustro medieval português. Mais tarde, no século XVI, D. Manuel ordenou a construção do primeiro piso do claustro. Aqui percebe-se a influência do estilo manuelino: procurem a gárgula que representa o rinoceronte, animal que só foi conhecido após a expansão marítima.

alcobaça Unesco

mosteiro

Sabiam que?

A Igreja é gótica mas a fachada é barroca, e uma parte do Claustro é manuelino?! O que significa isto?
O Gótico, o Barroco e o Manuelino são estilos arquitetónicos seguidos por engenheiros e arquitetos da época da construção dos edifícios. As características da construção, os materiais utilizados, as técnicas e as formas decorativas indicam muito sobre a mentalidade e a vida das pessoas da época.
No mosteiro de Alcobaça, a igreja foi a primeira obra e respeita o estilo Gótico, mas a fachada só foi concluída no século XVIII e já tem características do estilo Barroco.  O primeiro piso do Claustro e a Capela Relicário foram mandados construir por D. Manuel no século XVI e têm traços do estilo Manuelino.
  • A cozinha. Construída em 1752, está totalmente revestida a azulejos e tem uma enorme chaminé, assente em colunas de ferro forjado. Esta cozinha representa a nova mentalidade do século XVIII . Nesta época, o Papa permitiu o consumo de carne várias vezes por semana e a cozinha foi construída para dar resposta aos novos hábitos alimentares. O tanque da cozinha recebe a água trazida diretamente da Levada, um braço artificial do Rio Alcoa, criado pelos monges de forma a passar água dentro do mosteiro.

    cozinha mosteiro alcobaça

    Cool!!

    A higiene era muito importante para os monges do século XVIII e a Levada, um canal criado para trazer a água para o interior do convento, assim o indica.   O lavabo que fica à porta do refeitório, é alimentado por água que vem da levada e que os monges utilizavam para lavarem as mãos antes das refeições. O tanque da cozinha também recebe água da levada. Este tanque permitia que os monges tivessem acesso a água corrente e, até, a peixe vivo dentro da cozinha à espera de ser cozinhado. Um luxo!!

     

    levada cozinha mosteiro

     

    Informações úteis: O mosteiro fica no centro da cidade de Alcobaça. com acesso pela A8. Há parque de estacionamento gratuito das imediações. A entrada na igreja é gratuita. A visita ao mosteiro é paga a partir dos 12 anos. Aos domingos e feriados a entrada é gratuita até às 14h para residentes em Portugal. Pode obter mais informações no site do mosteiro.

    Comer: Os doces conventuais

    Onde há um convento, há doces conventuais! E agora, terminada a visita ao mosteiro, é hora de se deliciarem com uma iguaria de comer e chorar por mais!

    A origem dos doces conventuais remonta ao século XV, época da expansão marítima e da introdução do açúcar na nossa gastronomia, trazido das colónias. O açúcar, os ovos, especialmente as gemas, e as amêndoas são os ingredientes principais de doces criados nos conventos por freiras e monges com talento culinário. Não é difícil encontrar pastelarias especializadas em doces conventuais no centro de Alcobaça. E é um ótimo pretexto para passearem pelas ruas da cidade.

    Brincar: Parque dos Monges

    Parque dos Monges é um parque onde merece mesmo a pena levar as crianças. Localizado 4 quilómetros do mosteiro, na Quinta das Freiras, é um local cheio de história. Foi aqui que os monges de Cister se instalaram antes da construção do mosteiro. Também foi aqui que as tropas portuguesas acamparam quando se deu a Batalha de Aljubarrota, em 1385.

    parque dos Monges

  • O que se pode fazer no parque? Tantas coisas! A programação é extensa e muito interessante para os mais novos. O parque desenvolve atividades ligadas à história, ao ambiente, à natureza e ao desporto, sempre com uma envolvente pedagógica.

    Workshops, espetáculos de magia, visitas guiadas e ainda atividades desportivas e radicais como slide, paintball, eco-kart, arborismo, canoagem, escalada e  jogos tradicionais são apenas algumas das coisas que se podem fazer por lá. Existe também uma área dedicada aos animais: lontras, peixes, cágados, esquilos, cavalos, guaxinis, canguru e outros animais estão à espera de uma visita.

    O ideal será planear passar um dia inteiro no parque ou, melhor ainda, considerar dormir por lá. É que o parque não só oferece um dia inteiro de diversão como noites diferentes nos seus alojamentos glamping. Um dia e uma noite em cheio!

    Se gostam do conceito do glamping, vão gostar destas sugestões.

    Alcobaça parque dos Monges
    Imagem: www.parquedosmonges.com

    Informações úteis: A entrada no parque é paga e algumas atividades têm um valor adicional. O parque está aberto entre as 10h e as 19h e encerra à segunda-feira.

    Relaxar: São Martinho do Porto

    Muito perto de Alcobaça, a costa atlântica oferece várias praias de areal extenso. Mas a praia de São Martinho do Porto tem uma característica única: uma baía natural, a Concha de São Martinho.

    São Martinho do Porto
    Imagem:Terceira Dimensão

    São Martinho do Porto

    Aqui, o mar é muito tranquilo, o que torna a praia muito boa para famílias com crianças. Ao longo de toda a praia, a Avenida Marginal oferece restaurantes, esplanadas e lojas que convida a passeios e a refeições demoradas a contemplar o mar. Ao fundo da Avenida, perto do farol, um túnel escavado na rocha dá acesso à praia de Santo António.

    Experimentar e comprar: Produtos das região

    A zona de Alcobaça é rica em produtos agrícolas, gastronomia e artesanato. Merece a pena experimentar:

  • Os doces conventuais das pastelarias alcobacenses;

  • O Pão de Ló de Alfeizerão, vila próxima de Alcobaça, com o mais famoso Pão de Ló do país;

  • A loiça de Alcobaça ;

  • Frango na Púcara e a Sopa de Navalheira de São Martinho;

  • O vinho da região

  • Maçã de Alcobaça nas suas diferentes variedades, porque tem características únicas de produção que lhe garante uma elevada qualidade nutricional. Foi qualificada pela União Europeia como Indicação Geográfica Protegida. Podem encontrar mais informações no site maçã de Alcobaça;

  • Chita de Alcobaça, tecido de algodão estampado trazido da Índia para Portugal no século XVI e produzido no região.

Festejar: festas e festivais

Cistermúsica: Festival de música que acontece em julho. Propõe uma vasta programação de concertos que acontecem dentro do mosteiro e em outros locais de Alcobaça. Neste festival são organizados ateliers e espetáculos para crianças.

Feira de São Bernardo: Uma tradição anual desde a Idade Média, que se realiza em agosto. Esta feira foi criada em honra de São Bernardo de Claraval e tem muitas atrações: tasquinhas, concertos, exposições e provas desportivas.

Mostra Internacional de Doces e licores Conventuais: a  doçaria é um património cultural histórico e esta mostra tem o intuito de divulgar e preservar este património. O evento acontece dentro do mosteiro durante o mês de novembro. Dezenas de pastelarias de todo o país participam nesta mostra.

Descobrir a região

Toda a região é rica em história e natureza. Quando planear o passeio, pode também considerar estas sugestões:

Bons Passeios!!!

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